O terceiro dia de coletiva de imprensa no Festival de Curitiba teve importantes discussões sobre a difusão da cultura no evento. A manhã do dia 1º de abril teve representantes da mostra Lucia Camargo, de mostras do Fringe e dos curadores do Festival.
“Vinte!”
O primeiro grupo a conversar com a imprensa foi o elenco de “Vinte!”, que pesquisa movimentos de teatro negro pelo Brasil. A Companhia Negra de Revistas foi o catalisador da peça, um grupo formado em 1926. Uma das questões que movimentou a montagem, vencedora do Prêmio Shell nas categorias Dramaturgia e Música, foi “como a gente do século XXI consegue se conectar com artistas de um século atrás”, de acordo com a idealizadora, Tainah Longras. A peça usa a memória e pesquisa histórica de forma criativa, não exatamente documental, mas como ponto de partida. “A gente tem um olhar de artista sobre a história”, complementou.
A música, premiada, é destaque, apontada pela equipe. Com a inspiração no teatro de revista, tem a construção musical como ponto essencial. Com isso, discute as colonizações não só econômicas, como também intelectuais. “Buscamos estratégias de fissura desse olha do branco com a gente”, Tainah afirma. Ela destaca que, mesmo na pesquisa, há muitas lacunas no registro histórico, e é com eles que partem para a dramaturgia. “Todo artista se interessa pelas lacunas da vida”, completou.
Interlocuções
Os curadores da Mostra Lucia Camargo – Daniele Sampaio, Giovana Soar e Patrick Pessoa – também conversaram sobre a escolha de temas e peças. Um dos guias da edição foi a construção coletiva do teatro, destacando grupos coletivos e criações a várias mãos. Isso também serviu de guia para a Mostra Fringe, que contou com várias mostras internas de coletivos de vários estados. “Os coletivos teatrais são espaços de construção de democracia”, apontou Patrick Pessoa”.
O trio falou ainda da importância das Interlocuções, ações como conversas após peças, bate-papos e lançamentos de livros. Uma delas valorizou a produção de críticas teatrais, incentivando a análise e diálogo dos espetáculos com o público passando por especialistas e interessados. “O Festival também é espaço de experimentação de linguagem”, Daniele apontou.
Combo Drag Week

Um dos representantes da cultura curitibana na Mostra Lucia Camargo foi o Cabaré Combo Drag Week. O projeto comandado por Daniel Valenzuela vem há anos construindo um cenário que mistura linguagens como cabaré e performance drag. Artistas dessas áreas fortalecem a mescla de estilos artísticos em busca de experiências cada vez mais sensoriais, imersivas e ricas em conceitos. “Nós temos uma pluralidade imensa de possibilidades na arte drag”, opinou Daniel.
Ás de Paus e Mostra Insubmissa
Demonstrando a seleção de mostras e coletivos que os curadores citaram, a conversa seguinte foi com os grupos Ás de Paus, de Londrina (PR) e Mostra Insbumissa, com coletivos de Juiz de Fora (MG). Ambos falaram sobre a importância de existir e persistir na arte. “O Fringe é uma fenda que se abre e a cidade pode respirar teatro por todos os cantos”, destacou o artista Rogério Francisco Costa.
Tim Maia
A manhã foi encerrada com um momento emocional. O elenco e equipe de “Vale Tudo – Tim Maia, o Musical” conversou com a imprensa, incluindo o filho de Tim, Carmelo Maia. “Eu queria que a peça falasse mais do homem por trás do mito, mais do Sebastião”, o filho, que é produtor da montagem, afirmou. A entrevista coletiva aconteceu no dia seguinte à primeira apresentação no Teatro Guaíra, lotada e animada. Pessoas levantavam nas músicas finais, interagiam com Thor Júnior, que interpretou Tim, e aplaudiram ao longo de mais de duas horas. “O Guairão retratou fidedignamente o que era um show do meu pai”, Carmelo relatou.
Ele ainda revelou coisas muito pessoais, como os últimos momentos de vida do pai no hospital, e até uma produção norte-americana que faria um musical de Tim, estrelada por D’Angelo, rapper falecido recentemente. O musical trouxe músicas originais ao lado de clássicos, não seguiu uma estrutura totalmente linear e valorizou o lado humano do artista. Foi fundamental para a montagem que, segundo Thor”, a música do Tim Maia fosse maior que algum erro que ele tenha feito”.
A manhã encerrou com Carmelo pedindo a Thor que cantasse uma música. O ator e cantor iniciou, então, a cantar “Você”. O elenco o acompanhou e o protagonista do musical ainda chamou os jornalistas para acompanhá-los. A sala toda virou uma grande celebração a Tim Maia.
Foto: Brunow Camman.

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