“O desejo simples de voar” – Dia 05 de entrevistas no Festival de Curitiba

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Dos primeiros passos aos grandes chutes ao gol – os temas da coletiva de imprensa do Festival de Curitiba em 03 de abril foram os mais variados. A manhã começou com destaque para o Guritiba, mostra infantil do festival, e seguiu pela dança, performance, teatro até a estreia de Walter Casagrande Jr. nos palcos.

Guritiba

A primeira peça da mostra infantil Guritiba trata, de forma leve, de um tema sério: a inclusão de pessoas autistas. A peça “Azul”, vencedora como Melhor Espetáculo no prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), demonstra a importância de trazer assuntos sérios para um público jovem aliado à fantasia. “Ainda há um estigma em torno do que é infantil”, relatou o artista Alexandre Scaldini. Mas tratar assuntos importantes pela arte é acessar novos públicos e estimular a troca, a empatia. Ele relatou sobre crianças com autismo que conseguiram assistir pela primeira vez uma peça do início ao fim e entenderam que o teatro não é um lugar hostil para elas. “O teatro é sobre isso… como toca de um coração para outro coração”, complementou.

Fabíula Passini, programadora do Guritiba, ainda comentou sobre o retorno do Guritiba para o Museu Oscar Niemeyer, com espaços para brincadeiras. Também sobre a importância de mostrar aos pequenos o museu como espaço divertido. Fabíula, que também é diretora do Festival de Curitiba, destacou o Guritiba para mostrar novos universos para as crianças: “existe um outro universo além das telas, e o teatro pode ajudar muito nisso”.

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As possibilidades em cena fizeram parte das conversas do Festival de Curitiba no dia 03 de abril. Da formação de plateia até novos diálogos em forma é conteúdo, o @Festival de Teatro de Curitiba abre espaço para uma amplitude cultural. #festivaldecuritiba #Curitiba #teatro #cultura #arte

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“Colibri”

Uma performance de dança que mescla os movimentos de um pássaro com a herança racial e disputa territorial em Minas Gerais – essa é “Colibri”. O trabalho de Maria Emilia Gomes traz uma narrativa sentimental por elementos como chaves, lavagem de panos e tênis para demonstrar ligações através de séculos entre pessoas escravizadas e a liberdade atual – sempre posta em xeque por questões como crimes ambientais. “(A proposta é) invocar uma outra narrativa de um território marcado por uma série de apagamentos”, explicou a performer, natural de Mariana (MG). O voo do colibri inspirou movimentos que representam uma busca essencial: “o desejo simples de voar, de lembrar e não esquecer”.

Mostra Lúdica

Outra mostra dedicada às crianças também conversou com a imprensa. A Mostra Lúdica, de artistas de Maringá (PR), centraliza nas temáticas as experimentações em cena. Também convidam o público a interagir, especialmente com os instrumentos musicais que constroem, elaborando uma relação das crianças com o fazer musical. Um dos movimentos do grupo, segundo Fernando Ponce, é pensar “como as crianças podem se sentir pertencentes ao tocar instrumentos”.

Curitiba Cia de Dança

A Curitiba Cia de Dança apresenta no Festival de Curitiba “Memória de Brinquedo”, espetáculo que traz ao presente referências de infâncias de diferentes gerações. Saindo um pouco do mundo digital, a montagem de dança valoriza a ligação emocional com brinquedos, além da presença e do toque físico. “Era muito comum no passado se fazer os brinquedos, então tem a significância do objeto para a criança”, comentou o bailarino Rubens Vital.

Cia Heliópolis

A Companhia de Teatro Heliópolis, do Rio de Janeiro, traz a Curitiba “A Boca Que Tudo Come Tem Fome (Do Cárcere às Ruas)”. A montagem encerra uma trilogia da dramaturga Dione Carlos sobre encarceramento. Diversos temas foram se cruzando na pesquisa do grupo, como as dificuldades passadas também depois do cárcere, que vão do preconceito à dificuldade de conseguir emprego. “São três instâncias da vida (da pessoa encarcerada): quem ela era, ela aprendeu a se tornar outra, porque as pessoas mudam para se adequar ali, e quando ela é devolvida, ela já não está mais (naqueles lugares), ela vai se descobrir, e é esse diálogo que a gente tenta trazer para a cena”, explicou o ator Davi Guimarães.

Casagrande

Encerrando a coletiva do Festival de Curitiba, Walter Casagrande Jr. contou aos jornalistas sobre a construção de uma peça biográfica. “Na Marca do Pênalti” terá sua estreia nacional em Curitiba, com direção de Fernando Philbert. “O que eu vou fazer no teatro? Eu vou contar a minha história como qualquer pessoa que, se pudesse subir no palco e contar a sua história, a gente ia ouvir, prestar atenção”, revelou Casagrande. O projeto nasceu quando o diretor propôs ao comentarista de futebol um espetáculo.

“Ter o Casagrande de verdade, espontâneo, sem jogo, sem ensaio, é um golaço”, brincou o diretor. E a coletiva mostrou isso. Casagrande conseguiu falar um pouco da peça, da sua relação com a música e até do estado atual do futebol. “Para muitos, a parte de ser celebridade passou o ser jogador”, criticou alguns jogadores atuais e a relação atual com a mídia. “Ser influencer dá mais cliques e seguidores que fazer gol”.

Casagrande conta sem medo que passou por uma forte batalha contra o vício, e assistir teatro foi algo que o ajudou a superar as dificuldades do processo. Por isso essa ligação forte com a estreia nos palcos. “Tudo o que eu faço na vida é terapia”, explicou. Sobre o título, agregou: “’Na Marca do Pênalti’ são as decisões na nossa vida; tem pênalti com consequências momentâneas, tem pênalti com consequências para toda a vida e tem pênalti sem consequências”.

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