A capacidade de troca no teatro – Dia 06 de entrevistas no Festival de Curitiba

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“Quando eu falo de mim, eu estou falando de você”; esta fala da atriz e dramaturga Paula Giannini marcou as entrevistas do dia 04 de abril no Festival de Curitiba. Representantes de três peças da Mostra Lucia Camargo e um grupo que trouxe uma mostra teatral ligada à literatura conversaram com a imprensa pela manhã deste dia, revelando as trocas que o teatro proporciona.

“Brace”

O artista Edivaldo Ernesto explicou seu percurso para chegar em “Brace”, espetáculo de dança que leva ao futuro as referências ancestrais de África. Povos Mwene Mutapa e Zulos servem como referência em uma autoficção do criador, que nasceu em Moçambique e hoje vive na Alemanha. “Quanto mais eu pesquisava (sobre esses povos), menos informações claras eu encontrava”, compartilhou. “Existe esse estereótipo de que África está sempre em estado de carência, e com ‘Brace’ quero trazer coisas tecnológicas; a gente tem essa capacidade”.

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Contato, ancestralidade e empatia moldaram as conversas do dia 04 de abril no @Festival de Teatro de Curitiba . Montagens que discutem temas atuais em diferentes óticas – da violência a ser combatida em “O Motociclista no Globo da Morte” ao amor de “A Máquina” – ganharam destaque. #arte #Curitiba #teatro #festivaldecuritiba #cultura

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Autoficções

Em seguida, o assunto continuou embrenhado na autoficção com a Mostra Teatro Narrativo – Narrativas Invisíveis. A Palco Cia de Teatro, de São Paulo, traz quatro espetáculos e intervenções literárias, além de uma sala virtual com conteúdos complementares. As dramaturgias que passam pela literatura e criações ficcionais de experiências pessoais buscam ampliar repertórios e maior conexão com o público. “É uma celebração da literatura no palco”, explicou Paula Giannini.

“A Máquina”

Depois de 25 anos, um clássico do teatro brasileiro ganha nova montagem. “A Máquina” inovou em linguagem e cenário, além de ter projetado nacionalmente os atores Wagner Moura, Lázaro Ramos, Gustavo Falcão e Vladimir Brichta. João Falcão volta à direção, mas agora com codireção do sobrinho, Gustavo. O texto acompanha dois jovens apaixonados em uma cidade pequena e sem recursos. Para impedir que a amada Karina se mude, Antônio (interpretado por quatro atores) decide chamar o mundo para dentro da cidade de Nordestina.

Gustavo comentou sobre a potência do texto, admirado até hoje: “essa maneira nova, fresca de ver o mundo; eu acho que a peça devolve isso pra gente. E ela fala de afeto, acho que é uma coisa que a gente anda muito carente. Porque tudo o que acontece nessa peça, tudo, inclusive o fato da gente remontar, acontece por conta do afeto, por conta do amor. Por conta de um desejo da gente afetar pessoas, de Antônio se sentir afetado por Karina, de Karina se sentir afetada por Antônio, e a maneira como isso se transforma. Nada mais universal.”

Masculinidades

Eduardo Moscovis apresenta em Curitiba um espetáculo minimalista em seu formato e gigante em sua potência. “O Motociclista no Globo da Morte” tem direção de Rodrigo Portela e explora a violência urbana a partir de um personagem aparentemente pacato e racional. Até que ele comete um ato extremamente violento. Moscovis passa a peça praticamente imóvel relatando o caso, com uma interpretação profunda e íntima. “ A gente precisa desse contato, do contato visual, da proximidade”, ele explicou, sobre a escolha de apresentação no Teatro do Paiol e com aspectos como cenário e paisagem sonora mais minimalistas.

A temática, relacionada a questões de machismo, feminicídio e movimentos red pill, fazem parte de temas que o ator já vem discutindo, desde redes sociais até participação em projetos como a série “Bom Dia, Verônica”. “A gente precisa sair desse lugar de que a gente não só não compactua com esse tipo de comportamento, a gente tem que começar a atuar mais”, Eduardo opinou.

Foto: Brunow Camman

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