“A construção coletiva do teatro desde a base” – dia 11 das entrevistas do Festival de Curitiba

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Os processos que se iniciam individualmente na arte e desembocam em construções coletivas permearam as conversas de sexta-feira (10/04) no Festival de Curitiba. A coletiva de imprensa contou com Fernando Marés, ator e cenógrafo, representantes da Mostra São Paulo Showcase e o elenco de “Sidarta”.

A Odisseia da performance

Quem passa pela Praça Santos Andrade durante o Festival acompanha uma tarefa árdua e contínua. Fernando Marés vem carregando 350 blocos de concreto de um lado ao outro da Praça, desde o dia 06. Ao final – no dia 12 – os blocos formarão cenário e 70 assentos, e o artista apresenta o Canto 5 da “Odisseia”, quando Ulisses constrói uma jangada para continuar viagem e é surpreendido por uma tempestade. Todas as etapas de “Odisseia na Praça” são uma performance que nasce de sua visão particular, mas vem agregando voluntários.

Cada pessoa curiosa que quer saber o que acontece, se envolve – e muitos ajudam a carregar blocos. Marés escreve o nome de cada voluntário. “É a construção coletiva do teatro desde a base”, apontou Jonatas Medeiros, enquanto cruzava a praça com um bloco em mãos, ao lado de Marés.

Sobre o processo, o ator comentou: “as decisões fundamentais, você toma sozinho, depois leva para o coletivo, e a troca começa a acontecer a partir daí”.

Showcase

Uma mostra com 15 atrações do Estado de São Paulo é um dos destaques do Fringe. A Mostra São Paulo Showcase contou com uma parceria inédita entre o Festival e o Governo do estado vizinho, via Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa. A proposta nasceu de pensar o incentivo cultural que vá além do estado, criando diálogos e retomando uma formação de plateia, fortemente afetada pela pandemia e ainda em reconstrução. A secretária Marília Marton afirmou: “a gente vem reforçando a ideia de fazer circular aquilo que foi produzido. Há uma grande responsabilidade na retomada do hábito de consumir cultura.”

Rana Moscheta, coordenadora do Fringe, pontuou: “temos feito um trabalho árduo com programadores e curadores para que vejam o Fringe com um olho de possibilidade. Cada grupo que vem, a gente aprende como eles estão pensando cultura e a mobilidade dentro do estado, e a gente começa a pensar possibilidades dentro do nosso também.”

“Sidarta”

A dicotomia entre o mundano e o espiritual move a peça “Sidarta”, inspirada no livro homônimo de Herman Hesse. Marco da literatura ao longo de gerações, acompanha um personagem em busca de iluminação, mas que enfrenta uma série de impedimentos, do vício ao materialismo. O criador, Angel Ferreira, acredita que olhar para dentro é extremamente atual, que a mudança do mundo só pode vir a partir da mudança de si. “’Sidarta’ se tornou para mim um exercício de presença, porque essa história é sobre olhar para dentro. E, nesse mundo com muito estímulo, ver a jornada de um personagem que se dedica radicalmente a se conhecer, me parece urgente”, concluiu.

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