Haiti independente também é comemorado em Curitiba

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O orgulho pela bandeira reuniu haitianos morando em Curitiba nesse fim de semana. No domingo (17), foi antecipada a comemoração do Dia da Bandeira do Haiti – celebrado em 18 de maio. O povo se reuniu na Praça 19 de Dezembro, do homem e da mulher nus, e depois caminhou atrás de um carro de som, mostrando um pouco da cultura original.

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O coração haitiano também bate em Curitiba! Ontem eu me vi no meio de uma celebração da bandeira da primeira república negra independente do mundo. E foi muito bonito ver essa festa de uma cultura também presente na minha cidade. #Haiti #Curitiba #cultura #haitianosnobrasil🇧🇷

♬ som original – O Sensorial – Brunow Camman

Histórico

O Dia da Bandeira surgiu em 18 de maio de 1803, e duas figuras são essenciais para essa data. Uma delas é o líder revolucionário Jean-Jacques Dessalines, nome importante na luta pelo fim da escravidão e pela independência do país. Foi ele quem rasgou uma bandeira da França – país que explorou brutalmente o país por mais de cem anos, depois de 200 anos de domínio espanhol.

Os espanhóis que primeiro chegaram à ilha (hoje, dividida entre Haiti e República Dominicana) escravizaram os povos originários. Quando um tratado passou o território para a França, a escravização de africanos foi principal fonte de trabalho no cultivo de cana-de-açúcar e café. Na década de 1970, as revoltas de escravizados chegou a um ápice. Tanto que, em 1803, Jean-Jacques já era um líder renomado nessa luta. Ao rasgar a bandeira francesa em um congresso, retirou a parte branca.

A costureira Catherine Flon uniu então a parte azul (simbolizando a união entre negros e mestiços na luta por liberdade) e o vermelho (do sangue derramado na busca pelo fim da escravidão). A bandeira ainda ganhou uma ilustração com a frase: “a união faz a força”.

Curitiba

223 anos depois, Curitiba vira um ponto importante nessa comemoração da bandeira haitiana. O último Censo do IBGE, divulgado no ano passado, registrou 279 haitianos imigrantes vivendo na capital paranaense. E muitos deles estiveram na Praça 19 de Dezembro no domingo.

Um carro de som misturava referências musicais atuais com discursos – alguns em francês, outros em português – sobre liberdade. Por volta das 14h, o caminhão saiu pela Rua Barão do Cerro Azul com o povo acompanhando, balançando com orgulho a bandeira do país. Um agradecimento ao governo brasileiro, a lembrança de que o Haiti foi a primeira república negra independente do mundo e a lembrança da forma feminina (afinal, não haveria Dia da Bandeira sem Catherine Flon) estiveram em destaque.

O evento contou com apoios de empresas e festas ligadas ao povo haitiano na cidade, como Afro Latino Vibes e Medi Tranças. Também com a presença de instituições como Associação para Solidariedade dos Haitianos no Brasil (ASHBRA) e União da Comunidade dos Estudantes e Profissionais Haitianos (UCEPH). A ONU Imigração (OIM Brasil) também firmou sua parceria com a comunidade de imigrantes.

Experiência

Eu encontrei o evento na praça e fiquei curioso. Caminhei entre as pessoas com camisetas azuis, a bandeira estampada e a frase “Haiti – 223 anos da bandeira” já davam uma indicação do que era. Mas achei diferente, citar a bandeira e não a independência – que aconteceu oficialmente em 1º de janeiro de 1804. Perguntei a um homem o que era o evento e ele já falou: “Dia da bandeira do Haiti. Quer uma camiseta?” As pessoas estavam entre a timidez e a alegria, mas quando mostrei interesse, fui muito bem recebido.

Me ofereceram uma camiseta, me convidaram para a comemoração e sorriam bastante. Fui entendendo a importância da bandeira como símbolo entre discursos no evento e uma rápida pesquisa no Google. Atrasei meus compromissos por entender como aquele momento significava para as dezenas de pessoas ali.

Senti que as poucas pessoas com quem interagi demonstraram uma alegria de perceber um curitibano curioso na celebração deles. E resolvi me entregar. Entendi que Curitiba tinha um papel relevante em aceitar e comemorar a presença haitiana – porque os haitianos com certeza demonstraram ter Curitiba em seus corações.

Foto: Brunow Camman.

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