Lançado hoje (03/07), o mais novo disco da eterna diva Madonna surpreendeu o público. Com o nome “Confessions II”, fazendo referência ao “Confessions on Dance Floor” de 2005, podia se esperar a dance music com grandes influências dos anos 1970. Mas a cantora vai mais longe. Trazendo referências da música eletrônica dos anos 1990 e 2000, de um jeito muito sofisticado e sem ser vazio, ela se renova enquanto dança.
E as primeiras faixas são pensadas para a pista. Dançantes, animadas, com ritmos certos para seguir uma sequência sem enjoar. “I Feel So Free” abre como uma festa mesmo, vai crescendo a expectativa e dando os primeiros passos para a ótima “Good For The Soul”. A música evoca o que ela trouxe lá no “Confessions” de 2005: a festa como uma forma de libertar alma, corpo e mente.
Essa talvez seja a maior ligação com o disco de 21 anos atrás. Não exatamente as mesmas batidas ou referências, mas o sentimento de que, enquanto houver pista, DJ, luz neon e a vontade de transcender com a música, tudo vale a pena. Nessa jornada ela revisita sua carreira de forma mais tímida, não direta. Críticas à música dance e pop são rebatidas nas introduções, como em “One Step Away”.
Suas memórias estão ali, como os amigos e festas dos anos 1970 em “Danceteria”, música ideal para retomar a energia de uma festa. Não só pelo refrão que chama para dançar, como nas batidas. É o pop fazendo o que tem de melhor. Tem algo de Blondie e Nile Rodgers dialogando com um eletropop atual que deixa a faixa bem marcante.
Nem tudo é perfeito, claro. “Read My Lips” perde a força e parece que Madonna quer embarcar em algo de sucesso atualmente, ao invés de manter a autenticidade que a destacou por tantos anos. E a parceria com Feid é a mais fraca do disco – que ainda traz Sabrina Carpenter, Martin Garrix, Stromae e a filha, assinando como Lola Leon. Quando Madonna retoma a batida, “Everything” volta a equilibrar o disco, produzido por Stuart Price, que também estava envolvido com o primeiro “Confessions”.
“Love Without Words” é outro ponto alto, equilibrando referências com experimentações. Trance, house, até a música busca não se definir, e sim deixar sentir o que o ritmo pede. Em “My Sins Are My Savior”, a parceria com Stromae traz toques de uma sensualidade elegante e começa a encerrar a festa, mas sem deixar a energia cair, apenas mudar. Sonoramente, é ótima.
“The Test” coloca a voz da filha, mais um ponto em que o nome “Confessions” faz sentido, trazendo um lado mais pessoal. Vindo do clubbing das faixas anteriores, é uma canção mais baixa, mas não deixa de experimentar nas sonoridades e com uma letra bonita. “L.E.S. Girl” relembra seu início de carreira no Lower East Side de Nova York, quase uma balada romântica sobre amores de balada que duram o mesmo tempo de uma noitada. É uma escolha muito bonita para encerrar um disco marcante, empolgante de uma artista que sabe se renovar.

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