Bonnie Tyler foi muito mais do que um eclipse; cantora faleceu aos 75 anos

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Dona de um dos maiores hits dos anos 1980, a cantora Bonnie Tyler faleceu na noite desta quarta-feira, 08 de julho, aos 75 anos. Ela estava em coma desde maio, após uma cirurgia por motivo de saúde. A morte foi confirmada por nota da família.

Bonnie deixou um legado musical com a canção “Total Eclipse of the Heart”, mas não apenas isso. Nascida no País de Gales, em 1951, a cantora já experimentava em gêneros como rock ópera e country rock. Nos anos 1970, teve que fazer uma cirurgia nas cordas vocais – e não seguiu as recomendações médicas corretamente. Foi o que a deixou com a rouquidão tão marcada na voz.

A paixão pela música fez ela continuar a cantar. Nos anos 1980, vieram alguns sucessos, mas o destaque mundial veio em 1983 com “Total Eclipse of the Heart”. A faixa do disco “Festar Than The Speed of Night” foi número um nos rankings de vários países, dos Estados Unidos e Reino Unido até Nova Zelândia e África do Sul.

Além da voz marcante, Bonnie também se destacava na performance. A dramaticidade com que canta letras apaixonadas ou mesmo de corações partidos é marca registrada – imitada em karaokês até hoje. Usar o sentimento da música dentro da apresentação foi marcante, especialmente com os conceitos de seus clipes. Afinal, se sobressair em uma década tão exagerada e experimental como os anos 1980 é para poucos.

Em “Total Eclipse of the Heart”, ela vive uma espécie de sonho lúcido em uma mansão que serve de escola para meninos. As crianças viram criaturas da noite que formam o coro enquanto vultos e luzes envolvem e perseguem a cantora. É camp e sensacional ao mesmo tempo. Acompanha o exagero da letra e da performance.

Talvez more aí um dos segredos para a canção ter sobrevivido tantos anos no imaginário popular. Está presente em dezenas de filmes, do terror à comédia. Assim como “Holding Out for a Hero”, trilha sonora de “Footloose”, de 1984. Outro clipe dramático – com uma casa em chamas, um caubói sensual e Bonnie gritando do alto de um penhasco. Ela não mede esforços para exprimir os sentimentos.

Tanto que a faixa, em seu crescente de coro e desespero no piano, também foi trilha sonora de vários filmes. Em “Shrek 2”, a canção ganha uma das mais divertidas e visualmente interessantes. Mas meu uso favorito da música é em uma apresentação da (infelizmente também falecida) drag queen Tandi Iman Dupree em 2001. Tandi surge do teto do teatro, caindo com um espacate enquanto dubla, vestida de Mulher-Maravilha.

Essa curiosa força emocional que Bonnie Tyler imprimiu nas músicas e nos clipes fortaleceu um imaginário ao longo de décadas. A cantora não chegou a emplacar muitos outros hits – com destaque apenas para “Making Love (Out of Nothing At All)”, em 1995, versão do Air Supply. Mas ela ainda fazia muitos shows. Foram 18 álbuns de estúdio, o último lançado em 2021, aos 70 anos.

Bonnie deixou sua marca na música pop, influenciando sonora e visualmente várias gerações, sendo muito mais do que um eclipse e brilhando como uma estrela.

Foto: Divulgação/redes sociais.

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