No dia 03 de setembro chega aos cinemas um novo olhar sobre a Segunda Guerra Mundial: “Pressão”. O longa-metragem estrelado por Andrew Scott (“Fleabag”) e com Brendan Fraser no elenco mostra a tensão no planejamento do fatídico Dia D. Agora, a visão se dá a partir de um especialista em meteorologia que precisa lidar com uma previsão certeira para o ataque aos alemães que ocupavam a costa da França em 1944.
Por um lado, o filme usa alguns estereótipos para introduzir um personagem real, mas pouco conhecido. O capitão James Stagg é convocado pelo general Eisenhower para comandar a equipe de previsão do tempo, o último fator a ser analisado para a operação Dia D. Foi com esse movimento que as tropas aliadas iniciaram a quebrar o domínio nazista na Europa. O avanço pelo mar dependia muito de uma previsão certeira de clima – seja para entender as marés e planejar a chegada de barcos com tropas, seja pelas nuvens e a possibilidade de dar apoio com a Aeronáutica.
Andrew Scott interpreta esse capitão, que entende a imprevisibilidade do clima, enquanto outros acreditam que tudo seja uma questão de padrões. Nesse ponto, o roteiro não chega a inovar tanto, com uma história mais simples sobre um homem inteligente e pouco compreendido que se prova certo no final. Porém, a visão a partir do meteorologista já se difere de outros filmes sobre a Segunda Guerra e põe o foco no planejamento.
Também ajuda o filme ser inspirado em uma peça de teatro, além da vida real. O autor da peça assina o roteiro junto com o diretor, Anthony Maras. É o segundo longa de Maras, que lançou em 2018 “Atentado ao Hotel Taj Mahal”. Algumas escolhas visuais, como a cena de abertura, são muito acertadas. Como “Pressão” não tem tantas cenas de guerra, ele consegue equilibrar com algumas imagens de paisagens, treinamento e, claro, das mudanças climáticas.
As atuações também ajudam em momentos que o roteiro é mais engessado. Apesar do capitão Stagg não ser um personagem muito carismático, é possível sentir as emoções pelos olhares e movimentos contidos de Andrew Scott. Brendan Fraser como um general surpreende e consegue demonstrar um lado mais emotivo e preocupado com seus soldados, longe do estereótipo sisudo dessa patente ou mesmo dessa figura histórica.
“Pressão” entra na mesma linha de filmes como “O Destino de Uma Nação”, que retratam a Segunda Grande Guerra mais pelo ponto de vista estratégico do que pelo campo de batalha. E consegue apresentar algo novo, apesar de algumas escolhas simples (especialmente no começo), a partir da temática. Seja atmosférica ou emocional, a pressão do filme é sentida a cada momento.
Foto: Divulgação/Studio Canal.

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