“Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor” encanta e diverte com história simples

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O encanto das irmãs Owens, que conquistou fãs ao longo de décadas desde o lançamento de “Da Magia à Sedução”, está de volta. Chega aos cinemas brasileiros “Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor”, continuação do longa de 1998, em 10 de setembro. Sandra Bullock e Nicole Kidman continuam sendo a principal força da franquia, que resgata temas de irmandade, poder feminino e a busca pelo amor.

No primeiro filme, Gillian (Kidman) e Sally (Bullock) são irmãs criadas pelas tias bruxas, e vivem vidas muito diferentes. Quando a impulsiva Gillian pede ajuda à responsável Sally para se afastar de um namorado abusivo, as duas usam o amor fraterno (e uma magia descontrolada) para resolver o caso. Mas as consequências sobrenaturais vão assustar toda a família. É também nessa história que se descobre a maldição: todo homem que se apaixonar por uma mulher Owens vai perder a vida.

“Da Magia à Sedução 2” começa quando Sally, que achava ter quebrado a maldição, perde o marido. A mãe de duas filhas pequenas decide esconder a magia delas. Anos depois, quando elas já estão adultas e a vida do namorado de Kylie está por um fio, a verdade vem à tona – e a possibilidade de pôr um fim definitivo nesse terrível feitiço.

O novo longa, agora dirigido por Susanne Bier (“Caixa de Pássaros”), traz mais cenas dinâmicas, com vários núcleos acontecendo ao mesmo tempo. O início do filme equilibra o clima leve das relações em uma família só de mulheres com uma sinistra presença rondando as Owens. O filme introduz as filhas de Sally, Kylie (Joey King) e Antonia (Maisie Williams), mas com pouco tempo para vermos uma dinâmica interessante. Há uma possibilidade de ter uma dupla tão divertida e bem construída como a de Bullock e Kidman, com personalidades diferentes e por vezes conflitantes, mas logo isso se perde.

Kylie resolve acabar com a maldição sozinha enquanto a irmã, uma jovem médica, fica cuidando do cunhado em coma. Boa parte dessa continuação se passa na Inglaterra, onde Kylie tenta entender as origens da família. Ao mesmo tempo, Gillian e Sally correm até o país para salvar a jovem, e acabam encontrando o mago misterioso Ian (Lee Pace). As atuações são ótimas, mas pouco aproveitadas – especialmente Maisie Williams, atriz que ficou querida do público com “Game Of Thrones”.

As cenas de batalhas de feitiços são competentes, mas não enriquecem a trama nem mesmo visualmente. O longa consegue trazer o lado mais sombrio da magia e renova a franquia ao falar de traumas geracionais e ancestralidade. Mas coloca tudo isso em risco ao perder partes importantes do original. Ao separar as irmãs mais novas, ignora justamente o fator irmandade que gera o final emocionante do longa de 1998.

A dinâmica de Sally e Gillian é ótima, parece que foi ontem que Sandra Bullock e Nicole Kidman gravaram o primeiro filme. E “Da Magia à Sedução 2” até consegue trazer uma história nova e equilibrar a nostalgia com um roteiro original, ainda que mal aproveitado. Com certeza, os fãs do original vão adorar ver a família Owens reunida (e a presença das tias Franny e Jet, Stockard Channing e Dianne Wiest, é um brinde à mágica do longa). Só mereciam uma história melhor desenvolvida.

Foto: Jaap Buitendijk/Warner Bros.

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