“Antártida” é encontro de talentos na frente e atrás das câmeras; filme nacional estreia quinta (17)

—

2–3 minutos

To read

Drama, suspense e investigação criam um pano de fundo tenso para discutir um tema sensível no filme “Antártida”. Com elenco talentoso, roteiro bem desenvolvido e parte técnica destacada, o longa-metragem nacional é uma ótima estreia – e chega às telas nesta quinta-feira (17/09).

O filme lembra tramas detetivescas de espaços fechados, onde um pequeno grupo de pessoas presencia um crime e o culpado está entre eles. No caso, são profissionais na base brasileira de pesquisa na Antártida. A chegada do inverno extremo já seria um problema por si só, mas quando Inês (Marina Ruy Barbosa) sofre um ataque brutal, a situação degringola.

As relações pessoais vão ficando mais tensas e vão se revelando camadas de preconceito, violência e desrespeito. O que antes ficava nas entrelinhas, ganha proporções maiores a cada conversa ou queda de energia – constante nas condições desfavoráveis do frio e da baixa qualidade do equipamento local.

Uma das relações mais complexas é a da médica Marina (Leandra Leal) e do Capitão Vicente (Lázaro Ramos). Ele persegue a mulher, tentando resolver uma crise no casamento – mas usando de coerção e violência. As atuações aqui são fenomenais, e a dinâmica muito bem construída dos atores torna cada cena magnética e assustadora.

Patentes e patriarcado

A subcomandante Elisabeth (Andrea Beltrão) fica em um drama entre avisar o continente sobre o ocorrido ou aguardar uma posição do Comandante Barros (Antônio Calloni). Só que seu superior também tem segredos, e usa isso para tentar manipulá-la. Cada personagem – tanto masculinos quanto femininos – acaba revelando as diversas formas em que homens usam para dominar as mulheres. Discurso emocional, manipulação das palavras, humilhação e até violência física vão circulando o grupo.

Aquelas pessoas isoladas, sofrendo com as temperaturas abaixo de zero, e ainda sem saber em quem confiar. Para causar no público o mesmo sentimento de agonia dos personagens, é preciso reunir uma equipe bem competente. E “Antártida” consegue. Desde o roteiro de Claudia Jouvin e a direção de Bruno Safadi, até a escolha de elenco e a produção, são muitos talentos na frente e atrás das câmeras.

As escolhas de cenografia e fotografia são muito certeiras, criando imagens ao mesmo tempo bonitas e dramáticas, com tons realistas. Essa conjunção valoriza o mistério e a atmosfera de incertezas, e colabora na imersão do drama. São poucos pontos negativos no filme, como uma personagem pouco aproveitada, mas de modo geral todos estão bem desenvolvidos. São várias personalidades apresentadas pelo elenco brilhante, o que eleva tanto a obra quanto as discussões que ela propõe.

Deixe um comentário

Descubra mais sobre o sensorial

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo