“Zona Zero” mistura ação e terror com novo olhar sobre zumbis

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Zumbis que correm já são comuns nos filmes de terror, mas quando esses monstros agem coletivamente, ganhando informações e se organizando para atacar, a história é outra. “Zona Zero” é o novo filme do diretor sul-coreano Yeon Sang-ho, do aclamado “Invasão Zumbi”. Ele chega aos cinemas brasileiros em 15 de outubro.

A trama começa com intrigas entre pesquisadores e empresários durante uma conferência de biotecnologia. Um ex-funcionário que participou de pesquisas sobre colônias e mentes coletivas anuncia um ataque terrorista. Frustrado com o trabalho, solta um vírus no prédio que transforma os afetados em zumbis.

O diferencial aqui é que essas criaturas se conectam como uma mente coletiva, ou seja: não apenas atacam juntas, mas conseguem informar outros indivíduos sobre onde encontram outros humanos e sobre formas que esses humanos estão usando para fugir.

O diretor não enrola muito para iniciar a ação, assim como seus zumbis se transformam muito rapidamente. Quando todos os monstros param e fazem movimentos e gritos iguais, é assustador. A coreografia das cenas de ação é muito bem feita.

Personagens

O que desequilibra o filme são os personagens. Alguns são muito interessantes, como a estudiosa que fica presa no prédio e consegue pensar em formas inteligentes de combater as criaturas. O vilão também – apesar de pouco explicado em seus motivos – é maquiavélico e cria cenas intensas. Ele é único com uma vacina contra o vírus, então precisa ser protegido, o que cria ainda mais complicações entre os vivos.

Já outros, como o grupo de adolescentes, é totalmente descartável. O que já é comum em filmes de zumbi – ter um grupo que só vai servir para cenas de ataques. Mas aqui, a dinâmica entre eles é muito rasa e sem graça.

Yeon Sang-ho consegue homenagear o gênero de filmes de zumbi sem ser uma cópia do passado. Do shopping em “Despertar dos Mortos”, de George Romero, até a inspiração em fungos de “The Last Of Us”, há espaço para várias referências. E o diretor vai além, criando algo interessante e envolvente.

Há um subtexto de crítica ao consumo excessivo de informações e o vício em celulares, assim como “Despertar dos Mortos” é hoje entendido como uma crítica ao consumo desenfreado. O comportamento repetitivo e errático dos zumbis pelo shopping e os ataques às telas cobrem esse subtexto. Porém, também se pode aproveitar o filme como um bom terror cheio de ação e cenas impactantes. Nisso, o diretor equilibra as duas horas de “Zona Zero” – um pouco excessivas – entre o blockbuster e a metáfora crítica de uma sociedade.

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