Artes Cruzadas: Roberto Carlos, um tropicalista por acidente

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Quando se pensa na música de Roberto Carlos, é difícil imaginar ele na mistura de ritmos populares com a guitarra elétrica da Tropicália. Mas foi justamente sua figura e os primeiros anos do iê-iê-iê que influenciaram o movimento.

Hoje, Roberto Carlos é lembrado pela fase da Jovem Guarda, mas principalmente pelas baladas românticas, ao estilo de “Como é Grande  Meu Amor Por Você”. E talvez a palavra rock não pareça fazer parte do seu repertório atual.

Mas o cantor e compositor tem forte influência nas misturas musicais que o Brasil experimentou nos anos 1960. Roberto foi um dos pioneiros a trazer ao país ritmos como o funk norte-americano e o rock.

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Enquanto Caetano Veloso começava a se envolver com a Beatlemania, Roberto já estava na Jovem Guarda. O movimento experimentava o rock com toques brasileiros. Em “É Papo Firme”, por exemplo, ele traz para a letra “Ela adora uma praia e só anda de mini-saia”, um cenário bem diferente do que os Beatles faziam.

Foi Maria Bethânia quem deu a ideia ao irmão de prestar atenção nas experimentações do Jovem Guarda – que eram até mal vistas por críticos da época. No livro “Verdade Tropical”, Caetano comenta qualidades da Jovem Guarda, como a vitalidade das apresentações, o uso da guitarra e a popularidade que o estilo alcançava.

Roberto se aproximou de artistas da Tropicália sem nunca de fato fazer parte do movimento. Lançava filmes inspirados nos longas dos Beatles, ainda mantendo sua relação com o rock nos anos 1970. Mas já experimentava ritmos mais suaves e letras mais românticas, menos combativas ao estilo de vida tradicional.

Pelo menos, no seu repertório pessoal. O Rei assina com Erasmo “É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo”. A música, que viu um novo sucesso depois de entrar na trilha sonora do filme “Ainda Estou Aqui”, traz uma carga política intensa – algo até incomum para Roberto, mas que fazia sentido para Erasmo.

Ainda assim, mantinha relação com músicos como Caetano, para quem escreveu “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos”, quando Caetano estava exilado. Também gravou músicas do amigo: “Como Dois e Dois”, por exemplo. Décadas depois, continuavam colaborando, até fazendo shows juntos.

Gal Costa era fã e amiga do Rei, cantou diversas vezes com ele, faixas como “Sua Estupidez” e “Olha”. A cantora era apaixonada pela energia de Roberto.

Então o Rei pode nunca ter sido um tropicalista, mas sua energia e a mistura de ritmos dele influenciou o movimento adorado até hoje e que mudou a música brasileira.

Quem deseja conferir esse histórico, pode assistir aos shows de Roberto Carlos, que está circulando pelo Brasil em 2026. Nos dias 16 e 17 de outubro, ele está em Curitiba cantando um grande apanhado de sua carreira, no Teatro Positivo – com ingressos no site Disk Ingressos.

Depois, o cantor segue para Ribeirão Preto, Campinas, São José dos Campos, Santos, Rio Branco, Porto Velho e Rio de Janeiro, antes de fazer seu já tradicional cruzeiro em dezembro.

Roberto Carlos em Curitiba

Dias: 16 e 17 de outubro de 2026 (sexta-feira e sábado)

Horário: abertura da casa às 19h, show às 21h

Endereço: Teatro Positivo (R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 – Campo Comprido)

Ingressos: a partir de R$ 340 (meia) no site Disk Ingressos

Classificação indicativa: 16 anos

Realização: Cult! Produções, W7 Production & Entertainment e RC Produções.

Foto: Caio Girardi.

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